A deficiência dos hormônios estradiol e testosterona pode causar uma série de consequências, inclusive na saúde bucal. Diversos estudos já mostraram que o estradiol mantém os dentes e as gengivas firmes, além de cuidar do equilíbrio das glândulas salivares. E com a queda da produção do hormônio, com o passar dos anos, nossa boca fica mais vulnerável a problemas, as gengivas ficam mais flácidas e os dentes mais suscetíveis a cáries. Também há um desgaste maior do esmalte dos dentes, entre outros problemas. Outros sintomas relatados, principalmente por mulheres na menopausa, são boca seca e mau hálito, além de alterações no paladar.
Outro dado importante: o estrogênio é um grande protetor dos ossos. E com a queda da substância no organismo, aumenta o risco de desenvolver a osteoporose, o que também impacta a saúde dos dentes. A osteoporose pode afetar a densidade mineral óssea de diversas partes do corpo, inclusive dos ossos maxilares. A reabsorção óssea dos maxilares influencia diretamente a fixação dos dentes junto a mandíbula. Um grau severo de perda na densidade óssea pode levar à perda de dentes naturais e dificultar a fixação de próteses e implantes.
Já no caso de homens, a queda na produção de testosterona pode levar ao sobrepeso. E para saúde bucal, a obesidade não faz nada bem.  Ela está associada com um estado inflamatório crônico que pode levar a periodontite. Isso porque o tecido adiposo funciona como um reservatório de citocinas, que regulam as respostas inflamatórias e imunológica.
A saída para homens e mulheres é a modulação hormonal, para menopausa e andropausa. Segundo a ginecologista Margarida Ubaldo, níveis fisiológicos de estradiol e testosterona protegem contra a perda de dentes e ajudam a manter as gengivas livres de infecções. O assunto foi tema do 1º Encontro Brasileiro de Longevidade e Qualidade de Vida da Sociedade Brasileira para Estudos da Fisiologia (SOBRAF), realizado durante o 8º Congresso Brasileiro de Fisiologia Hormonal e Longevidade, em São Paulo, nos dias 10 e 11 de outubro.
“Os hormônios sexuais possuem mais de 400 funções metabólicas e de reparo. Estudos mostram que há receptores para essas substâncias no tecido gengival. Logo, sua função nas estruturas da boca é inquestionável”, afirma Margarita.
Até os 45 anos segundo a médica, cada mulher perde, em média 3,5 dentes. Aos 60, um terço já não tem nenhum dente. As pacientes na menopausa e com osteoporose que não fazem reposição hormonal contabilizam menos 16,9 dentes, enquanto as mulheres na menopausa em reposição de estradiol exibem um sorriso com apenas menos 4,5 dentes.
Níveis fisiológicos dos hormônios protegem contra a perda de dentes e ajudam a manter as gengivas livres de infecções

Doenças Cardiovasculares

“A carência do hormônio sexual feminino também está relacionada à atrofia de gengiva, que leva a periodontite, que esta diretamente ligada aos infartos. Hoje sabemos que os infartos são doenças de origem inflamatória e que a bactéria periodontal é capaz de provocar essa inflamação da parede das artérias”, alerta a especialista.
Já para as mulheres jovens que utilizam contraceptivos orais, a atenção com a saúde bucal precisa ser redobrada.
“O contraceptivo oral mimetiza o estado menopausal, ou seja, todos os hormônios da mulher se tornam iguais aos de uma vovó de 90 anos. Portanto, o uso do anticoncepcional pode influenciar as condições periodontais, independente do nível de acúmulo e da duração do tratamento”, finaliza.

Fonte: Revista Longevidade em Foco – ANO 3 – Nº 7 – 2015