Ao invés de sabermos envelhecer, temos é que saber rejuvenescer!

A frase do título que parece cruel, não é minha. Eu a ouvi de renomados cientistas que palestravam na universidade Stanford, na Califórnia. Eles dizem que a velhice não é um estado inquestionável ao qual devemos nos resignar. E que, ao invés de sabermos envelhecer, temos que saber rejuvenescer.

Da mesma maneira com que se abria o peito para mexer no coração infartado numa operação perigosíssima e hoje se põem stents na maior simplicidade, em pouco tempo, novos orgãos 3D e intervenções genéticas reverterão o que antes era doença incurável.

A ciência vai cada vez mais reverter, deter ou retardar muita coisa que seria o fim. Viveremos muito mais e melhor. Dizem que nossos netos passarão dos 120. Na idade média, a idade era menos de 30 anos, em média. “Balzaquiana”, termo machista e anacrônico, servia em décadas passadas para designar uma “senhora de 30 anos “!

Aquela história de que é preciso saber envelhecer já era. Temos que saber rejuvenescer com menos medicina e mais prevenção, menos resignação e mais determinação. Sim, Abilio Diniz tem razão.
A melhor medicina hoje é a informação. Já existem novas curas na medicina do futuro e também, na medicina do passado, como na ciência da velha índia, a limpeza obsessiva do intestino que a medicina védica prega há milênios. Ou no antigo ditado romano “mente sã, corpo são.”

Claro que os benefícios não chegarão imediatamente à maioria das pessoas. Mas vive-se mais no século 21 graças a vacinações em massa, e Stanford diz que haverá vacinas para a velhice. E que, assim como é uma decisão morrer de fumar, de beber, de drogas ou de manteiga, envelhecer será uma decisão por causa de avanços como os da nanomedicina, que com suas nanomáquinas destrói a célula cancerígena, da crispr, que é capaz de editar o código genético, do big data, aplicado à sequência genética e à imagem molecular, da inteligência artificial, diagnosticando câncer de mama com maior assertividade que a medicina comum. E há ainda a competição geocientífica que acelera descobertas. O ocidente, com suas universidade startups e hospitais maravilhosos. A China, construindo uma cidade do tamanho de San Francisco só para a medicina, a China Medical City que, quando pronta, será um centro hospitalar científico, de congressos.

Mas não é só o avanço da ciência, é também o avanço da consciência. Hoje temos mais consciência da importância de dormir mais e melhor, da boa alimentação, do perigo devastador dos benzodiazepínicos para dormir (pior que droga).

Fumar virou uma aberração, esporte virou mania. Tudo isso é uma benção e também um problema. Como hospedar ainda mais gente numa terra exaurida? Onde, como, com que dinheiro?

Definitivamente, não é “business as usual”. Por isso, este artigo num caderno de economia. Estamos no meio de uma revolução sem precedentes e sem fronteiras. A frase maravilhosa e terrível de Stanford (“envelhecer é uma doença”), deve ser entendida com olhos do futuro e ouvidos de ciência.
A medicina é o novo ouro. Hospitais cuidavam da doença e agora cuidarão cada vez mais da saúde, da prevenção e do rejuvenescimento. Envelhecer não é uma arte, rejuvenescer que é. Eu tirei álcool, tabaco, refrigerante e benzodiazepina da minha vida e agora luto para tirar glúten, lactose e um monte de lixo que julgávamos luxo. A piada que ouço é: e restou o quê? restou tempo, e um monte de maneiras novas de comer as mesmas coisas de outro jeito com o tempero do futuro.

Fonte: Artigo tirado do jornal folha de São Paulo, 10 de setembro 2019.