O Dia Mundial do Coração, comemorado neste domingo, dia 29. Por quê? Porque o estado dos nossos dentes e gengivas podem levar à falência desse órgão vital.

Focos de infecção gengival (Doença Periodontal) e/ou dentária são responsáveis, em média, por nada menos que 40% dos casos de endorcardite infecciosa, doença que afeta o coração e que mata cerca de 20% dos pacientes acometidos. As estatísticas são do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (Incor), que mensalmente recebe pelo menos 10 pacientes com essa patologia.

Resumindo, uma boca mal cuidada pode levar a pessoa à morte.

A origem bucal da endocardite bacteriana deve-se à presença da bactéria Streptococcus viridans. A contaminação se dá por meio das áreas infeccionadas na boca, quando esse micro-organismo encontra alguma oportunidade de alcançar a corrente sanguínea, ao penetrar nas lesões existentes.

É importante lembrar que estamos falando de bactérias, isto é, de micro-organismos invisíveis a olho nu. Por isso, aquilo que nem sempre está assim tão feio aos olhos do paciente já é motivo de preocupação para o dentista. Por isso, não nos cansamos de alertar: gengiva que sangra exige cuidado.

Gengivas que sangram facilmente ao escovar sinalizam para a presença de placa bacteriana. É a doença periodontal se instalando.
Risco cardíaco

Pessoas que já são portadoras de doenças cardíacas estão especialmente mais expostas aos riscos. Quem sofre de cardiopatia congênita ou sabe ser portador de alguma lesão na válvula cardíaca precisa sempre avisar ao seu dentista sobre essas condições.

Nesses casos, muitas vezes, faz-se necessária uma interação entre o cardiologista e o dentista, por meio de encaminhamentos, cartas de esclarecimentos sobre tratamentos, laudos e muitas vezes troca de ideias por telefone, quando necessário. E a administração preventiva de antiobióticos específicos poderá ser especialmente indicada para o tratamento dentário.

Da mesma forma, tratamentos dentários preventivos também costumam ser indicados para cardiopatas, antes de serem submetidos a cirurgias cardíacas.

Mas TODAS as pessoas preocupadas em adotar uma atitude preventiva em relação à saúde do coração, jamais podem negligenciar a gestão da sua saúde bucal. Com bactérias, não se brinca.

Além do risco da endocardite, quem sofre de doença periodontal tende a ter as taxas de colesterol mais elevadas. Isso também aumenta os riscos para o coração, conforme se sabe.