O hábito de fumar está relacionado a várias doenças, entre elas a aterosclerose. O coordenador do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Marco Aurélio de Magalhães Pereira, explica que a aterosclerose representa o processo de obstrução das artérias, devido ao acúmulo de placas de gordura na parede dos vasos sanguíneos.

O cigarro é um fator de risco porque predispõe a formação de placas na parede das artérias, diminuindo o fluxo de sangue. Em termos clínicos, a doença produz dor no peito (angina) ou, em situação de interrupção total do fluxo da artéria coronária, pode gerar um infarto do músculo do coração.

O médico ressalta ainda que outros fatores também podem estar envolvidos na redução da circulação sanguínea, tais como, obesidade, sedentarismo e altos níveis de colesterol. “Isso não significa que o tabagismo não deva ser combatido e evitado. Pelo contrário. O entupimento dos segmentos arteriais do corpo humano, provocado pela aterosclerose, apresenta uma associação importante com processos inflamatórios, os quais são desencadeados por fatores que agridem a parede do vaso sanguíneo, tais como as substâncias presentes no cigarro.”

Como consequência desta agressão, ocorre uma lesão que torna a parede do vaso sanguíneo vulnerável e exposta, podendo formar coágulos e provocar a trombose do vaso com graus variáveis de interrupção da circulação sanguínea.

O comprometimento da circulação pela presença de placas de gordura pode ocorrer em qualquer artéria do corpo. Isso significa, de acordo com o especialista, que artérias de fino calibre, como as artérias coronárias que irrigam o coração, ou grandes artérias podem ser igualmente acometidas e terem seu fluxo reduzido.

A redução de fluxo em uma artéria produz, inicialmente, um evento chamado de isquemia, onde o órgão irrigado terá suas funções comprometidas devido a falta de substratos energéticos que são conduzidos pelo sangue.​