Cientistas brasileiros e americanos descobrem que tratamento com o hormônio
é capaz de reverter processo que leva ao envelhecimento celular.     

Um estudo pioneiro e conduzido por dois médicos brasileiros, entre outros pesquisadores, detectou que o uso
de hormônios androgenicos – principalmente testosterona – pode ajudar a prevenir o envelhecimento celular em 
homens e mulheres. De acordo com o trabalho, publicado na revista científica New England Journal of Medicine,
esses hormônios estimulam o organismo a produzir a enzima telomerase, capaz de prolongar a capacidade de as 
células se dividirem.

Na ponta dos cromossomos, existem estruturas chamadas telômeros, responsáveis por manter a integridade do 
material genético durante a divisão celular. Com o passar do tempo, os telômeros vão se encurtando, o que impede 
as células de se reproduzirem e as leva ao envelhecimento.

Tal processo está ligado a redução da telomerase, cuja ação repara os telômeros. Na pesquisa, O Dr Rodrigo Tocantins 
Calado, professor do departamento de clínica médica da faculdade de medicina da universidade de são paulo – usp, o Dr
Philip Scheinberg, chefe da hematologia clinica do centro oncológico Antônio Ermírio de Moraes, do hospital Beneficiencia Portuguesa
de São Paulo, e equipe trabalharam realizando testes em laboratório. Depois, com base nos resultados, desenvolveram um protocolo
clínico em que pacientes com telômeros muito curtos e doenças associadas a mutações no genecodificador da telomerase como
anemia aplastica e fibrose pulmonar receberam danazol (hormônio sexual sintético) por dois anos. O objetivo do experimento era diminuir 
a taxa de encurtamento das extremidades dos cromossomos.

Segundo o Dr.Calado, os resultados foram inesperados e surpreendentes. Dos 27 pacientes que participaram do estudo, 45% 
apresentaram prolongamento dos telômeros.”Inicialmente, tínhamos como meta reduzir o encurtamento, mas o que observamos
foi o alongamento em quase metade dos casos. Essa foi a primeira demonstração de que estender essas estruturas é possível 
em humanos com o uso de medicação”,  diz.

Para o médico e professor russo Vladimir Khavinson, uma das maiores autoridades mundiais quando o tema é telomerase , o estudo 
abre caminho para a investigação de estratégias similares que possam tratar doenças crônicas associadas a telômeros mais curtos.
“É a primeira vez que se demonstra a possibilidade de reconstituir telômeros em seres humanos, com efeitos positivos para a saúde”, diz o médico,

presidente da regional europeia da associação internacional de gerontologia e geriatria .
O trabalho, denominado Danozal Treatment for Telomere Diseases, foi  realizado em parceria com o instituto nacional de saúde dos 
Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês).